Segurança pública em debate: audiência na Câmara expõe dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil em Caruaru

por Maria Eduarda - Núcleo de Comunicação Social CMC — publicado 06/05/2026 15h20, última modificação 06/05/2026 21h17
Debate reuniu sindicato, policiais civis e parlamentares em defesa de melhores condições de trabalho e do fortalecimento da segurança pública.
Segurança pública em debate: audiência na Câmara expõe dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil em Caruaru

Imagem: Vladimir Barreto

A preocupação com a segurança pública e as condições enfrentadas pela Polícia Civil ganharam espaço na Câmara de Caruaru durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (06). O debate colocou em pauta o efetivo de agentes, a estrutura das delegacias e os desafios que impactam o funcionamento da corporação em todo o estado. A iniciativa foi proposta pelo vereador Mano do Som (PDT), por meio do requerimento nº 1569/2026.

A discussão reuniu representantes do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), entre eles o presidente Áureo Cisneiros e o diretor Tiago Batista, além de policiais civis, vereadores e da população, que acompanhou presencialmente e também de forma online, por meio da transmissão da TV Câmara e do YouTube. Também estiveram presentes os vereadores Thiago Macaco (PODE) e Gil Bobinho (PSB).

Propositor da audiência, Mano do Som destacou a importância da valorização da Polícia Civil de Pernambuco e cobrou investimentos do Governo do Estado para enfrentar problemas históricos, como o déficit de efetivo, a precariedade estrutural das delegacias e a ausência de reconhecimento à categoria. O parlamentar apresentou demandas encaminhadas pelo seu gabinete, entre elas a criação de novas delegacias especializadas em Caruaru, a reestruturação das unidades existentes e melhorias no atendimento da Delegacia da Mulher e do complexo da Polícia Científica. Segundo ele, fortalecer a segurança pública passa pela garantia de melhores condições de trabalho para os profissionais da área.

Representando o Sinpol, o diretor Tiago Batista reforçou a necessidade urgente de modernização e fortalecimento da estrutura da Polícia Civil em Caruaru e no interior de Pernambuco. Durante sua fala, criticou a precariedade das delegacias, a falta de efetivo, o fechamento de unidades em horários noturnos, fins de semana e feriados, além da ausência de delegacias especializadas e do funcionamento parcial do Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru. Ele alertou ainda para o avanço da criminalidade no interior e defendeu a valorização dos policiais civis como medida essencial para o enfrentamento da violência.

O presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros, afirmou que a audiência pública representa um espaço importante para debater soluções concretas para a segurança pública no município. Em sua fala, criticou a falta de investimentos do Governo do Estado na Polícia Civil e apontou problemas como o funcionamento incompleto do Complexo da Polícia Científica, o déficit de efetivo, a estrutura precária das delegacias e as condições inadequadas da Delegacia da Mulher, que atende diversos municípios com equipe reduzida.

Áureo também alertou para o aumento da violência em Caruaru, citando homicídios, crimes contra mulheres e a preocupação com o avanço de facções criminosas. O sindicalista denunciou ainda a escassez de recursos básicos nas unidades policiais, relatando que agentes chegam a custear materiais essenciais com recursos próprios. Ao final, defendeu mais investimentos, valorização profissional e melhores condições de trabalho, afirmando que Caruaru precisa ser tratada como cidade estratégica para a segurança pública estadual.

O policial civil Vinícius de Carvalho agradeceu ao vereador Mano do Som pela realização da audiência e destacou a importância da iniciativa para fortalecer o debate sobre segurança pública. Em sua fala, apresentou dados sobre o cenário da violência em Caruaru, relacionando o aumento da criminalidade à precariedade estrutural da Polícia Civil.

A apresentação exibiu números que apontam 99 homicídios registrados em 2025, além de índices elevados de crimes patrimoniais, feminicídios e a sobrecarga da Delegacia da Mulher. Também foram apresentados dados do primeiro trimestre de 2026, com crescimento nas mortes violentas, roubos, furtos de veículos e casos de violência doméstica. A comparação com a cidade de Campina Grande, e reforçou a defesa por mais investimentos em estrutura, efetivo e investigação policial.

A comissária Amanda Lira chamou atenção para a sobrecarga enfrentada pela Delegacia da Mulher de Caruaru, que já registrou mais de mil ocorrências este ano e atende 12 municípios, cobrindo cerca de 460 mil mulheres com apenas 16 policiais. Segundo ela, a unidade também absorve casos envolvendo crianças, adolescentes, idosos e, em breve, pessoas com deficiência, o que compromete a qualidade do atendimento. Amanda defendeu a criação de uma Delegacia da Criança e do Adolescente no município e cobrou ações concretas para fortalecer a rede de proteção.

Também durante a audiência, o policial Tarsis Rocha criticou a falta de estrutura e valorização da categoria, citando situações em que policiais precisaram custear serviços básicos para manter o atendimento nas unidades. Já o policial Josenildo Tavares relembrou sua trajetória na corporação, destacou o compromisso da categoria com a segurança pública e defendeu a valorização dos profissionais como condição essencial para garantir o direito da população à segurança.

O vereador Thiago Macaco (PODE) manifestou apoio às reivindicações da Polícia Civil e reforçou a necessidade de tratar a segurança pública como pauta coletiva, acima de disputas políticas. Gil Bobinho (PSB) também utilizou a tribuna para prestar solidariedade à categoria, cobrar mais investimentos e defender maior integração entre os poderes para o enfrentamento da violência em Caruaru.

Encerrando a audiência, o presidente da Câmara, Bruno Lambreta (PSDB), destacou a importância do debate como espaço de construção coletiva e reafirmou o compromisso do Legislativo em encaminhar as demandas apresentadas ao Governo do Estado. A audiência reforçou a necessidade de união entre poder público, forças de segurança e sociedade civil para buscar soluções efetivas que fortaleçam a segurança pública no município.