Escolegis promove palestra sobre inteligência artificial e impactos nas políticas públicas
A Câmara Municipal de Caruaru recebeu, na manhã da quinta-feira (9), a palestra “Ondas de Inovação e Inteligência Artificial: o impacto da IA em políticas públicas”, promovida pela Escola do Legislativo (Escolegis). O encontro foi mediado por Artur Bezerra, membro da Câmara Setorial de Tecnologia da ACIC e CEO da Epta Tecnologia, reunindo assessores e servidores da Casa em um debate sobre os impactos da tecnologia na gestão pública.
A abertura foi conduzida pelo diretor da Escolegis, Aroldo Leda, e pelo presidente da entidade, o vereador Professor Jorge Quintino, que destacaram a importância de aproximar o Legislativo das discussões sobre inovação e IA.
Durante a palestra, o mediador contextualizou a inteligência artificial dentro das grandes ondas de transformação da humanidade: da Revolução Industrial à era digital, até chegar à atual era da IA. Como exemplo, apresentou uma linha do tempo: o lançamento do iPhone em 2007; a expansão dos aplicativos em 2010; a superação humana por sistemas de IA em tarefas específicas em 2016; a popularização com o ChatGPT em 2022; a consolidação como infraestrutura global em 2024; e projeções para 2026 com o avanço de agentes de IA e da era robótica.
O impacto no mercado de trabalho também foi destaque. Dados apresentados indicam que 47% dos empregos podem desaparecer nos próximos 15 anos (Frey & Osborne, Universidade de Oxford, 2013), com previsão de perda de 85 milhões de postos até 2030 (World Economic Forum, 2020). Ao mesmo tempo, 65% das crianças de hoje atuarão em profissões que ainda não existem (World Economic Forum, 2016), e 30% das horas trabalhadas poderão ser automatizadas (McKinsey, 2024). As projeções reforçam a necessidade de adaptação de profissionais e do poder público diante de novas demandas, ressaltou Bezerra.
Também foram abordadas transformações em áreas como mobilidade, com veículos autônomos; consumo, com uso de drones; e saúde, com diagnósticos mais precisos via sistemas inteligentes. Em contrapartida, essa nova era exige altos investimentos socioambientais, devido ao enorme consumo de energia e de recursos naturais envolvido na produção da IA, o que representa um grande alerta e compromisso do poder público em avançar cada vez mais em políticas públicas sustentáveis.
Na política, o debate incluiu o uso da IA para análise de dados e tomada de decisões, além do microtargeting em campanhas. Por outro lado, foram destacados riscos como a desinformação e o uso de deepfakes, que podem comprometer a confiança pública, interferir em eleições e ampliar a polarização social.
Por fim, foram discutidos os avanços na regulação da IA no Brasil, com referência ao Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) e ao desenvolvimento do Marco Legal da Inteligência Artificial, debatido desde 2019 e influenciado pela LGPD e por legislações internacionais.
A iniciativa reforça o papel da Escolegis na formação contínua dos servidores e na promoção de debates estratégicos para o futuro da gestão pública.