Esportes radicais e cultura de rua são tema de audiência pública

por Victor Vargas — publicado 22/04/2016 00h00, última modificação 08/03/2017 10h38
Na manhã da última quarta-feira (20), a Câmara Municipal de Caruaru promoveu uma audiência pública...

Na manhã da última quarta-feira (20), a Câmara Municipal de Caruaru promoveu uma audiência pública para debater a prática de esportes radicais em locais públicos e o apoio à cultura de rua no município. Solicitada pelo vereador Nino do Rap (PSDC), a audiência reuniu vereadores, representantes do poder público, desportistas, artistas e a população.

A mesa dirigente dos trabalhos foi composta pelo estudante Lucas Augusto, representando os praticantes de patins street; José Márcio Bezerra, representando os artistas do Hip Hop; Tenente Pessoa, representando o comandante do 4º BPM, Tenente Coronel Roberto Galindo; o biker Daniel da Conceição, da Loja Bike BMX; o DJ e fotógrafo Patrício Tavares, representando os skatistas; e o vereador Nino do Rap, autor da propositura e presidente da sessão.

O principal e mais acalorado tema dos debates foi a falta de um local adequado para a prática de esportes de rua, como ressalta o DJ e skatista Patrício Tavares: “Estou no skate há 25 anos e o que mais quero é um acordo sobre a proibição da Estação Ferroviária para a prática de esportes como patins, bike, skate. Já houve reuniões para esse acordo e nada foi resolvido. A pista que temos para a prática é muito mal estruturada. Já chegamos a mais de 500 skatistas em Caruaru e o único espaço que temos é a Estação”.

O representante do 4º Batalhão de Polícia Militar, Tenente Pessoa, no entanto, contrapôs que a Estação, por ser um local de grande circulação de pessoas, não é o mais adequado. “É o espaço mais frequentado por a toda população caruaruense e por pessoas que vêm de outras cidades para visitar o nosso município, é um ponto turístico de nossa cidade e esse tipo de prática esportiva naquela localidade vem a entrar em confronto com o bem da coletividade, devido aos movimentos bruscos que lá podem ocorrer, que já existem registros em outros momentos de que, durante a prática esportiva, um skate veio a se chocar com uma turista e, infelizmente com esse conflito, orientamos o pessoal que pratica a procurar um espaço público que seja realmente adequado”, explicou o militar.

Por sua vez, o secretário municipal de Participação Social, Leonardo Bulhões, manifestou a disposição do poder público em encontrar um consenso para o problema, inclusive sobre a proibição da prática desses esportes no local, onde também funciona o Instituto Histórico de Caruaru. “No mesmo dia em que as placas [de proibição] foram colocadas por ação nossa, conversas internas dentro do Governo nos levaram ao entendimento que elas deveriam ser retiradas, mas o próprio movimento Ocupe Estação fez isso. Entendemos que devemos debater olho no olho, compreendendo quais são as deficiências, para que esse espaço não seja ocioso, de gueto, que não seja um espaço de uso de drogas, exercitando ali o esporte, garantindo que esse espaço tenha vida”, comentou Bulhões.

“O Hip Hop não pratica vandalismo e sim tira vários jovens do crime, das drogas. Educamos e valorizamos o que não está sendo valorizado”, colocou José Márcio Bezerra, do grupo de Hip Hop 3 Soma, no que foi secundado pelo patinador Lucas Augusto: “É muita falta de oportunidade que está acontecendo. Se tem alguém usando drogas, quando chegamos e oferecemos esporte, vemos a alegria de cada um”.

Já o biker Daniel da Conceição fez fortes críticas à prefeitura: “O Executivo tem projetos mal elaborados, mal feitos, são pistas construídas sem serem específicas. Não precisamos de muitas, apenas de uma com espaço para skate, patins, pois acredito que dá para salvar muitos jovens. A Praça do Indianópolis não tem iluminação, as pistas estão destruídas. Liberaram a Av. Agamenon, mas a Destra fala que a prática do BMX é crime, que são manobras perigosas, isso não existe, não é verdade”.

Daniel reclamou ainda da violência com que agentes públicos estariam tratando os desportistas de rua. “Eu estava praticando esportes na Estação e um agente da Destra tentou me agredir. A ação da polícia em relação à prática de esporte lá na Estação está sendo muito rigorosa conosco, quando Caruaru está largada no crime e o esporte, ao contrário, salva o jovem da periferia do crime”, destacou o ciclista. A denúncia de truculência policial também foi feita por Lucas Augusto: “Domingo passado (17) vi uma abordagem policial agressiva, desnecessária para quem está apenas fazendo o bem”.

O representante do 4º BPM, Tenente Pessoa, comentou as denúncias, explicando que a abordagem policial é legal, mas deve seguir critérios. “Nós prezamos primeiramente pela segurança do policiamento e segurança da pessoa abordada e a PM não é conivente com nenhuma prática de violência durante a abordagem. As pessoas que se julgam vítimas dessas abordagens podem procurar o Batalhão para registrar a sua denúncia, lá nós temos uma sessão específica para isso, e a denúncia gerará um procedimento administrativo para a apuração dos fatos”, garantiu o policial.

A audiência, que teve ainda a participação dos vereadores Tenente Tiburcio (PMN), Rodrigues da Ceaca (PRTB) e Carlos Santos (PRB), foi considerada proveitosa pelo presidente Nino do Rap. “O ponto primordial é ver cada representatividade dos esportes radicais compondo essa mesa, cada um com suas ideias, que foram registradas para daqui pra frente nos unirmos mais e trabalharmos um projeto de lei para o nosso município”, disse o vereador. Indagado sobre a ação esperada por parte da prefeitura, Nino foi direto: “Esperamos uma resposta positiva, mas não uma resposta de promessas. Quando o Executivo se preocupar realmente que nós necessitamos desse espaço, aí a juventude irá ser vista de forma diferenciada, porque o pouco que se tem para praticarmos nossos esportes está irregular ou abandonada, como o Skate Park Caruaru”.

Guanabara Comunicação/AscomCâmara
Fotos: Vladimir Barreto/AscomCâmara
 
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